Aviso importante: este artigo tem finalidade informativa e educativa. Os valores de referência apresentados são parâmetros gerais — a interpretação dos seus exames deve ser feita pelo médico que conhece seu histórico, seus fatores de risco e seu contexto clínico individual. Este guia não substitui a consulta médica.
Exames preventivos após os 40 são uma das estratégias mais importantes para identificar precocemente doenças cardiovasculares, diabetes, alterações hormonais e diversos tipos de câncer antes que apareçam sintomas.
A maioria das doenças que matam adultos entre 50 e 70 anos — infarto, AVC, diabetes tipo 2, câncer colorretal, câncer de mama, câncer de próstata — tem uma característica em comum: se desenvolvem silenciosamente por 10 a 20 anos antes de dar qualquer sintoma.
Durante esse período silencioso, elas são detectáveis. E quando detectadas cedo, a maioria é tratável — muitas vezes com intervenções de estilo de vida antes mesmo de qualquer medicamento.
O exame preventivo regular é a única ferramenta que captura essa janela. Não é pessimismo — é a decisão mais inteligente de saúde que um adulto acima dos 40 pode tomar.
Este guia entrega o checklist completo de exames preventivos para adultos acima dos 40 — separado por gênero, com frequências recomendadas, os valores de referência que você precisa conhecer e o que fazer com os resultados.
💡 Este artigo é o Satélite 7.4 do Cluster Saúde Preventiva 40+. Para a visão integrada de saúde após os 40, veja o guia completo de como melhorar a saúde após os 40. Para exames específicos relacionados à saúde cardiovascular, acesse em breve o artigo sobre saúde cardiovascular e treino após os 40.
Por que os exames preventivos após os 40 são essenciais
A janela silenciosa: doenças que se desenvolvem por décadas antes de dar sintoma
A aterosclerose — o acúmulo de placas nas artérias que leva ao infarto e ao AVC — começa a se desenvolver na adolescência e progride silenciosamente por décadas. O primeiro sintoma para muitos é o próprio infarto.
A resistência à insulina — que precede o diabetes tipo 2 por 10 a 15 anos — não dói, não causa fadiga perceptível nos estágios iniciais e não altera a aparência. Mas está deteriorando silenciosamente a função dos vasos sanguíneos, dos rins e dos nervos enquanto você segue sua rotina normalmente.
O câncer colorretal tem sobrevida de 90% quando detectado no estágio 1 (localizado). A sobrevida cai para 14% no estágio 4 (metástase). A diferença entre esses dois cenários é frequentemente uma colonoscopia feita no momento certo.
O rastreamento preventivo não é paranoia médica. É aritmética: o custo de um exame anual é infinitamente menor — em dinheiro, em sofrimento, em anos de vida — do que o custo do tratamento de uma doença detectada tardiamente.
O que muda no seu perfil de risco após os 40
Após os 40, múltiplos fatores de risco para doenças crônicas convergem:
- A testosterona e o estrogênio — que tinham efeito protetor cardiovascular, ósseo e metabólico — estão em queda
- A gordura visceral tende a aumentar, elevando marcadores inflamatórios e a resistência à insulina
- A pressão arterial naturalmente tende a subir com a rigidez progressiva das artérias
- O TSH pode sair de equilíbrio com maior frequência, especialmente em mulheres
- A densidade óssea começa a declinar de forma mais acelerada
- O risco de câncer de próstata (homens) e de mama (mulheres) aumenta significativamente
Nenhum desses riscos é certo ou inevitável. Todos são detectáveis e modificáveis. Mas apenas se você souber que estão lá.
Quais exames preventivos fazer após os 40 anos
Sangue e metabolismo: os exames de maior impacto preventivo
Esses são os exames com maior evidência de benefício em detecção precoce de condições tratáveis:
Glicemia em jejum
Mede a concentração de glicose no sangue após 8 a 12 horas de jejum. É o teste inicial de rastreamento para diabetes e pré-diabetes.
| Resultado | Classificação | O que fazer |
|---|---|---|
| Abaixo de 100 mg/dL | Normal | Repetir anualmente |
| 100–125 mg/dL | Pré-diabetes | Intervenção de estilo de vida + acompanhamento a cada 6 meses |
| 126 mg/dL ou acima (em 2 exames) | Diabetes tipo 2 | Avaliação médica imediata |
HbA1c — Hemoglobina Glicada
Reflete a média de glicemia dos últimos 2 a 3 meses — muito mais fidedigna do que uma glicemia isolada, que pode variar pelo estresse do dia, pela qualidade do sono na véspera ou pela composição da última refeição.
| Resultado | Classificação |
|---|---|
| Abaixo de 5,7% | Normal |
| 5,7%–6,4% | Pré-diabetes |
| 6,5% ou acima | Diabetes |
Para adultos acima dos 40, solicite os dois — glicemia e HbA1c — no check-up anual. A combinação é muito mais informativa do que cada um isolado.
Perfil lipídico completo
Colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. Deve ser coletado em jejum de 12 horas para os triglicerídeos. Para o colesterol total e frações, estudos recentes mostram que o jejum não é obrigatório — mas a maioria dos laboratórios ainda solicita por protocolo.
| Marcador | Meta para adultos baixo risco | Atenção acima de |
|---|---|---|
| Colesterol total | Abaixo de 190 mg/dL | 200 mg/dL |
| LDL (colesterol “ruim”) | Abaixo de 130 mg/dL | 160 mg/dL |
| HDL (colesterol “bom”) | Acima de 40 (H) / 50 (M) mg/dL | Preocupação abaixo desses valores |
| Triglicerídeos | Abaixo de 150 mg/dL | 200 mg/dL |
Atenção: as metas de LDL variam com o risco cardiovascular individual. Para alguém com diabetes, doença cardíaca estabelecida ou múltiplos fatores de risco, a meta de LDL é significativamente mais baixa (abaixo de 70 mg/dL em casos de alto risco). Seu médico define a meta correta para o seu perfil.
PCR ultrassensível — Proteína C Reativa
Mede a inflamação sistêmica. É um preditor cardiovascular independente — você pode ter LDL normal e PCR elevada e ainda ter risco aumentado de eventos cardiovasculares.
| Resultado | Risco cardiovascular |
|---|---|
| Abaixo de 1,0 mg/L | Baixo |
| 1,0–3,0 mg/L | Moderado |
| Acima de 3,0 mg/L | Alto |
Importante: a PCR se eleva em qualquer inflamação aguda — gripe, infecção urinária, torção de tornozelo. Colete sempre fora de períodos de doença aguda. Se o resultado estiver alto sem explicação, o médico pode solicitar repetição e investigação da causa.
Hemograma completo
Avalia todas as células do sangue: hemácias (anemia), leucócitos (imunidade) e plaquetas. Barato, simples e com alto poder informativo. Alterações no hemograma podem indicar anemia ferropriva (muito comum em mulheres), infecções, distúrbios hematológicos e, em alguns casos, sinais iniciais de doenças mais sérias.
Frequência: anual para todos os adultos acima de 40.
Função renal e hepática
Creatinina e ureia (função renal): a doença renal crônica afeta 10% a 15% dos adultos brasileiros e é silenciosa até estágios avançados. A creatinina elevada indica que os rins estão perdendo capacidade de filtração. Ideal abaixo de 1,2 mg/dL (homens) e 1,0 mg/dL (mulheres) — mas o valor varia com a massa muscular.
Taxa de Filtração Glomerular Estimada (TFGe): calculada a partir da creatinina, considera a idade e o gênero para estimar a função renal real. Mais informativa do que a creatinina isolada. Abaixo de 60 mL/min/1,73m² indica comprometimento renal e requer acompanhamento especializado.
TGO e TGP (transaminases): enzimas hepáticas elevadas indicam lesão ou inflamação do fígado. A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) afeta 30% a 40% dos adultos brasileiros acima de 40 com excesso de peso ou resistência à insulina — e a maioria não sabe que tem.
GGT (gama-glutamiltransferase): sensível ao consumo de álcool e a doenças hepáticas. Útil como marcador de saúde hepática em adultos que consomem bebidas alcoólicas regularmente.
Frequência: anual para todos os adultos acima de 40.
Função tireoidiana
TSH — Hormônio Estimulante da Tireoide
O hipotireoidismo subclínico — tireoide funcionando abaixo do ideal sem sintomas óbvios — afeta cerca de 10% das mulheres acima de 40 e 3% dos homens. Os sintomas quando presentes incluem fadiga, ganho de peso, queda de cabelo, frio excessivo, constipação, depressão e dificuldade de concentração — todos facilmente atribuídos ao estresse ou ao envelhecimento.
| TSH | Interpretação |
|---|---|
| 0,4–4,0 mUI/L | Normal (laboratório) |
| 0,4–2,5 mUI/L | Ideal funcional para muitos especialistas |
| Acima de 4,0 mUI/L | Hipotireoidismo subclínico ou clínico |
| Abaixo de 0,4 mUI/L | Hipertireoidismo — requer avaliação |
Se o TSH estiver alterado, o médico solicitará T4 livre (e possivelmente T3 e anticorpos tireoidianos) para completar a avaliação.
Frequência: anual — especialmente importante para mulheres acima de 40 (hipotireoidismo é 7 a 10 vezes mais comum em mulheres).
Vitaminas e micronutrientes críticos
Vitamina D (25-OH vitamina D)
A deficiência afeta 40% a 60% dos brasileiros adultos — paradoxalmente, mesmo em clima tropical. Está associada a osteoporose, função imune comprometida, maior risco de depressão, pior sensibilidade à insulina e — em homens — testosterona mais baixa.
| Resultado | Classificação |
|---|---|
| Abaixo de 20 ng/mL | Deficiência — requer reposição |
| 20–29 ng/mL | Insuficiência — requer suplementação |
| 30–60 ng/mL | Suficiência — faixa ideal |
| Acima de 100 ng/mL | Risco de toxicidade — requer avaliação |
Ferritina e ferro sérico
A deficiência de ferro — a deficiência nutricional mais comum do mundo — é especialmente prevalente em mulheres em idade fértil mas persiste em mulheres na perimenopausa e é mais comum do que se imagina em homens com dieta pobre em carnes vermelhas.
A ferritina baixa causa fadiga, queda de cabelo, dificuldade de concentração e menor performance no treino — antes mesmo de causar anemia no hemograma.
Meta de ferritina para adultos que treinam: acima de 30 ng/mL (mulheres) e acima de 50 ng/mL (homens). Muitos laboratórios usam limites inferiores que capturam apenas a anemia franca, não a depleção funcional.
Vitamina B12
Essencial para função neurológica, síntese de DNA e produção de hemácias. A absorção diminui com a idade, com uso de metformina (medicamento para diabetes) e com uso prolongado de inibidores de bomba de prótons (omeprazol). Deficiência causa fadiga, formigamento, perda de memória e depressão.
Valor de referência: acima de 300 pg/mL é adequado; abaixo de 200 pg/mL é deficiência.
Frequência: anual para vitamina D e ferritina. B12 anual para vegetarianos, usuários de metformina ou omeprazol e adultos acima de 60 anos.
Saúde cardiovascular
Pressão arterial
A hipertensão arterial afeta 36% dos brasileiros adultos e é chamada de “assassina silenciosa” — não causa dor nem sintomas perceptíveis, mas deteriora silenciosamente coração, rins, cérebro e olhos ao longo de anos.
| Classificação | Pressão sistólica | Pressão diastólica |
|---|---|---|
| Normal | Abaixo de 120 mmHg | Abaixo de 80 mmHg |
| Elevada | 120–129 mmHg | Abaixo de 80 mmHg |
| Hipertensão grau 1 | 130–139 mmHg | 80–89 mmHg |
| Hipertensão grau 2 | 140 mmHg ou acima | 90 mmHg ou acima |
Meça a pressão em repouso, sentado, após 5 minutos em silêncio. Meça nos dois braços. Se estiver consistentemente acima de 130/80 em múltiplas medições, converse com seu médico.
Frequência: em cada consulta médica. Em casa: mensalmente se você tem histórico familiar de hipertensão ou valores borderline.
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Eletrocardiograma (ECG)
Avalia o ritmo e a atividade elétrica do coração. Pode detectar arritmias, sinais de sobrecarga cardíaca e alterações isquêmicas silenciosas. Indolor, rápido e barato.
Frequência: a cada 2 anos a partir dos 40 em adultos sem fatores de risco cardiovascular. Anual se há hipertensão, diabetes, tabagismo ou histórico familiar de doença cardíaca.
Ecocardiograma
Ultrassom do coração que avalia estrutura, função e válvulas cardíacas. Mais completo que o ECG para avaliação estrutural.
Frequência: não é obrigatório no check-up de rotina de adultos sem fatores de risco. Indicado pelo médico se ECG alterado, hipertensão não controlada, sopro cardíaco ou sintomas cardiovasculares.
Rastreamento de câncer colorretal
O câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil e tem sobrevida excelente quando detectado precocemente — e catastrófica quando detectado tardiamente.
Colonoscopia: o exame padrão ouro para rastreamento. Detecta e remove pólipos antes de se tornarem cancerosos. A recomendação atual é iniciar a partir dos 45 anos em adultos com risco médio, e a partir dos 40 (ou 10 anos antes do caso familiar mais jovem) em quem tem histórico familiar de câncer colorretal em parente de primeiro grau.
Frequência: se o exame for normal (sem pólipos): repetir em 10 anos. Se houver pólipos removidos: o médico define o intervalo de vigilância (geralmente 3 a 5 anos).
Pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF): alternativa menos invasiva. Se positiva, requer colonoscopia para investigação. Para adultos que recusam colonoscopia.
Frequência da PSOF: anual.
Exames específicos para homens acima dos 40
Saúde prostática: PSA e o que ele realmente indica
O PSA — Antígeno Prostático Específico — é uma proteína produzida pela próstata que pode ser medida no sangue. Níveis elevados podem indicar câncer de próstata, mas também hiperplasia prostática benigna (aumento não canceroso muito comum após os 40) ou prostatite (inflamação).
A controvérsia sobre o PSA é real: ele detecta cânceres que nunca causariam problema (sobrediagnóstico) e pode levar a tratamentos com efeitos colaterais significativos. A decisão de fazer ou não o PSA deve ser uma conversa informada com o urologista.
Recomendação atual:
- Homens com risco médio: conversa sobre PSA a partir dos 45 a 50 anos
- Homens negros ou com parente de primeiro grau com câncer de próstata: a partir dos 40 anos
- Homens com dois ou mais parentes com câncer de próstata: a partir dos 40 anos
Valores de referência:
| Idade | PSA considerado dentro do esperado |
|---|---|
| 40–49 anos | Abaixo de 2,5 ng/mL |
| 50–59 anos | Abaixo de 3,5 ng/mL |
| 60–69 anos | Abaixo de 4,5 ng/mL |
Atenção: um PSA dentro da faixa não exclui câncer de próstata, e um PSA elevado não confirma. A interpretação requer o contexto clínico completo — tamanho da próstata, velocidade de variação do PSA ao longo do tempo, exame de toque retal.
Frequência: anual se o médico recomendar rastreamento.
Testosterona total e livre: quando e por que pedir
Conforme discutido em detalhe no artigo sobre testosterona e treino após os 40, a queda gradual de testosterona após os 40 pode ter impacto significativo na composição corporal, energia, humor e libido sem que o homem reconheça a causa hormonal.
O que pedir:
- Testosterona total
- Testosterona livre (ou biodisponível)
- SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais)
- LH e FSH (para identificar a origem do problema — testicular ou central)
- Estradiol (E2) — o estrogênio masculino, que pode estar elevado em homens com gordura visceral alta
Horário da coleta: de manhã, preferencialmente entre 7h e 10h — quando a testosterona está no pico diário. Coletada à tarde, pode subestimar os valores em 20% a 30%.
Valores de referência:
| Marcador | Faixa normal adulto masculino |
|---|---|
| Testosterona total | 300–1.000 ng/dL |
| Testosterona livre | 5–21 ng/dL |
| SHBG | 10–80 nmol/L |
Hipogonadismo é definido clinicamente como testosterona total abaixo de 300 ng/dL com sintomas presentes. Valores entre 300 e 400 ng/dL com sintomas merecem avaliação cuidadosa — especialmente se a testosterona livre estiver baixa por SHBG elevada.
Frequência: anual para homens acima de 40 com sintomas sugestivos. A cada 2 a 3 anos para homens assintomáticos como rastreamento.
Outros exames masculinos relevantes
Ultrassom de abdômen: avalia fígado, vesícula, rins, baço e pâncreas. Detecta gordura hepática (DHGNA), cálculos renais e biliares, e outras alterações estruturais silenciosas.
Frequência: a cada 2 a 3 anos, ou anualmente se há fatores de risco (sobrepeso, diabetes, álcool regular).
Creatina quinase (CK): útil para homens que treinam com força regularmente — avalia o dano muscular basal. Pode estar cronicamente elevada em overtraining.
Exames específicos para mulheres acima dos 40
Saúde mamária: mamografia e ultrassom
As recomendações de rastreamento podem variar de acordo com histórico familiar, fatores de risco e diretrizes atualizadas das sociedades médicas. Por isso, é importante acompanhar as orientações oficiais do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde.
O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil (o primeiro é o de pele não melanoma) e tem sobrevida de 95% quando detectado no estágio 1.
Mamografia:
O exame de imagem padrão para rastreamento. Detecta alterações antes de qualquer nódulo palpável.
Frequência recomendada:
- A partir dos 40 anos: anual (recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia e do INCA)
- Mulheres com histórico familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau: a partir dos 35 anos ou 10 anos antes do caso familiar mais jovem
- Continuação: sem limite superior de idade bem definido — enquanto a mulher tiver expectativa de vida de pelo menos 10 anos
Ultrassom de mama: complementar à mamografia em mamas densas (categoria C ou D na classificação BI-RADS), onde a mamografia tem menor sensibilidade. A indicação do ultrassom é feita pelo médico com base na mamografia anterior.
Saúde cervical: papanicolau e HPV
Papanicolau (citopatologia cervical): rastreamento de lesões precursoras do câncer de colo de útero causadas pelo HPV. Detecta alterações celulares antes de se tornarem cancerosas.
Frequência: anual até dois exames normais consecutivos, depois a cada 3 anos. A partir dos 65 anos com histórico de exames normais, pode ser interrompido.
Teste de HPV (genotipagem): mais sensível que o papanicolau isolado. Detecta a presença do vírus antes de causar alterações celulares. As diretrizes atuais indicam seu uso como rastreamento primário ou co-teste com o papanicolau.
Frequência do HPV: a cada 5 anos quando usado como co-teste com papanicolau normal.
Saúde hormonal feminina: painel completo
Para mulheres a partir dos 40 — especialmente com sintomas de perimenopausa (irregularidade menstrual, ondas de calor, insônia, alteração de humor):
FSH (Hormônio Folículo-Estimulante): sobe progressivamente com a queda da reserva ovariana. FSH acima de 10 UI/L sugere declínio da função ovariana; acima de 25 UI/L (associado a amenorreia) indica menopausa.
Estradiol (E2): cai progressivamente na perimenopausa. Na menopausa estabelecida, fica abaixo de 30 pg/mL.
LH: sobe na menopausa junto com o FSH.
Hormônio Anti-Mülleriano (AMH): o marcador mais preciso de reserva ovariana. Cai progressivamente após os 35 anos. Útil para mulheres que ainda consideram gestação ou para avaliação da reserva ovariana independentemente da fase do ciclo.
Frequência: quando há sintomas sugestivos de perimenopausa, irregularidade menstrual ou como rastreamento a partir dos 45 anos.
💡 Para o guia completo sobre hormônios femininos e saúde após os 40, acesse o artigo sobre hormônios femininos e treino após os 40.
Densidade óssea: densitometria e quando começar
A osteoporose afeta 1 em cada 3 mulheres após a menopausa. É silenciosa até a primeira fratura — frequentemente de quadril, vértebra ou punho.
A densitometria óssea (DXA) mede a densidade mineral óssea e fornece o T-score:
| T-score | Diagnóstico |
|---|---|
| Acima de -1,0 | Normal |
| -1,0 a -2,5 | Osteopenia |
| Abaixo de -2,5 | Osteoporose |
Quando começar:
- Mulheres pós-menopáusicas a partir dos 50 anos: exame inicial
- Mulheres com fatores de risco (uso de corticoide, histórico familiar de osteoporose, tabagismo, IMC baixo, fratura prévia): a partir dos 45 anos ou antes
Frequência: a cada 2 a 3 anos se o exame inicial for normal. A cada 1 a 2 anos se houver osteopenia ou fatores de risco.
💡 Para o guia completo de treino e nutrição para osteoporose, veja o artigo treino para osteoporose em mulheres.
Como interpretar os resultados: o que fazer quando algo sai fora da faixa
Receber um resultado fora da faixa de referência provoca ansiedade — muitas vezes desnecessária. Alguns pontos importantes para calibrar a resposta:
Um resultado alterado não é diagnóstico. É um sinal que requer investigação. A interpretação sempre considera o conjunto dos resultados, os sintomas, o histórico familiar e os fatores de risco — não o número isolado.
Valores de referência são populacionais, não individuais. A faixa de “normal” representa 95% da população saudável — o que significa que 5% de pessoas completamente saudáveis terão um resultado fora da faixa por variação estatística normal.
Tendências ao longo do tempo são mais informativas do que valores pontuais. Um LDL de 145 mg/dL que estava em 128 no ano anterior é mais preocupante do que um LDL de 145 estável há 5 anos.
O que fazer com resultados alterados:
- Não busque diagnóstico no Google antes de falar com o médico — a maioria das associações encontradas online será aterrorizante e desnecessariamente alarmente
- Leve todos os resultados na mesma consulta, não apenas os alterados — o médico precisa do quadro completo
- Pergunte especificamente: “Esse resultado requer mudança imediata ou pode ser monitorado?” e “O que posso fazer de concreto para melhorar esse marcador?”
- Se a resposta for “apenas acompanhar”, peça o prazo: “Em quanto tempo você quer rever esse exame?”
O que o treino e a alimentação melhoram diretamente:
| Marcador | Melhora com estilo de vida |
|---|---|
| Glicemia e HbA1c | Sim — treino de força + redução de açúcar |
| LDL e triglicerídeos | Sim — redução de ultraprocessados + ômega-3 |
| HDL | Sim — treino aeróbico + redução de álcool |
| PCR | Sim — dieta anti-inflamatória + sono |
| Pressão arterial | Sim — exercício + redução de sódio + gestão de estresse |
| Vitamina D | Sim — exposição solar + suplementação |
| Testosterona (homens) | Sim — treino de força + sono + zinco/magnésio/D3 |
Como organizar seu check-up anual na prática
A maioria das pessoas que não faz check-up regular não deixa por falta de vontade — deixa por falta de um sistema. Este é o sistema de 4 passos:
Passo 1: Escolha um médico de referência. Clínico geral, médico de família ou internista. Essa pessoa vai coordenar os encaminhamentos e ter visão do seu histórico longitudinal. Especialistas (cardiologista, endocrinologista) são importantes mas não substituem o generalista como ponto de entrada.
Passo 2: Defina um mês fixo por ano. Janeiro (resoluções), aniversário, mês de início de emprego — qualquer âncora que funcione para você. O hábito se consolida com regularidade temporal, não com intenção.
Passo 3: Peça os exames antes da consulta, não durante. A maioria dos planos de saúde e laboratórios permite solicitar exames por telemedicina ou com receituário anterior. Chegue à consulta com os resultados em mão — isso transforma a consulta em análise, não em espera.
Passo 4: Documente e compare. Salve todos os seus exames num arquivo (pasta de fotos, Google Drive ou app de saúde). A tendência ao longo de anos é a informação mais valiosa que você tem sobre sua saúde — e que o médico raramente tem acesso sem que você leve.
Onde fazer os exames:
- Plano de saúde: verifique a cobertura e os laboratórios credenciados
- SUS: os exames básicos de prevenção estão disponíveis no sistema público — procure a UBS de referência
- Laboratórios particulares: Fleury, Dasa, Hermes Pardini e redes regionais têm pacotes de check-up que frequentemente saem mais baratos do que exames individuais
- Telemedicina: plataformas como iSaúde permitem solicitar exames online com médico e agendar coleta em laboratório próximo
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Perguntas frequentes
Quais exames fazer aos 40 anos?
O check-up básico anual para adultos acima de 40 anos deve incluir: glicemia em jejum e HbA1c, perfil lipídico completo, hemograma, TSH, vitamina D, ferritina, creatinina, pressão arterial e PCR ultrassensível. Homens adicionam PSA (a partir dos 45 ou 50, conforme risco) e testosterona total e livre. Mulheres adicionam mamografia, papanicolau e — a partir dos 50 — densitometria óssea. Consulte seu médico para personalização baseada no seu histórico.
Com que frequência fazer check-up após os 40?
A maioria dos exames de sangue deve ser feita anualmente. Mamografia a cada 1 a 2 anos a partir dos 40 (mulheres). Colonoscopia a cada 10 anos a partir dos 45, ou antes com histórico familiar. Densitometria óssea a cada 2 a 3 anos a partir dos 50 (mulheres). ECG a cada 2 anos. A frequência individual depende dos resultados anteriores e dos fatores de risco — seu médico define o intervalo correto para o seu caso.
Qual o valor normal de glicose em jejum para adultos?
Glicemia em jejum normal está abaixo de 100 mg/dL. Entre 100 e 125 mg/dL é pré-diabetes — condição reversível com intervenção de estilo de vida. Acima de 126 mg/dL em dois exames diferentes é o critério diagnóstico de diabetes tipo 2. A HbA1c complementa essa avaliação: abaixo de 5,7% é normal, entre 5,7% e 6,4% é pré-diabetes, acima de 6,5% é diabetes.
O que é PCR ultrassensível e por que pedir?
A PCR ultrassensível mede a inflamação sistêmica no sangue. É um preditor cardiovascular independente — abaixo de 1,0 mg/L é baixo risco, entre 1,0 e 3,0 mg/L é risco moderado, acima de 3,0 mg/L é alto risco. Deve ser coletada fora de períodos de infecção aguda. Valores elevados sem causa aparente requerem investigação médica.
Homem de 40 anos precisa fazer PSA?
A recomendação atual é oferecer a conversa sobre rastreamento de PSA a partir dos 45 a 50 anos para homens com risco médio, e a partir dos 40 para homens negros ou com histórico familiar de câncer de próstata em parente de primeiro grau. A decisão é compartilhada — pesando os benefícios de detecção precoce contra os riscos de sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários. Converse com seu urologista.
Este artigo fornece informações gerais de saúde preventiva e não substitui a avaliação médica individual. Os valores de referência apresentados são parâmetros populacionais gerais — seu médico é quem interpreta seus resultados no contexto do seu histórico clínico completo.
Sobre o autor: Valmir Orçai Fialho é Bacharel em Educação Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em Musculação e Personal Training, Cinesiologia e Biomecânica, além de fundador do FitEmCasa.
Há mais de duas décadas estuda e aplica estratégias de treinamento físico, nutrição esportiva, composição corporal e longevidade, com foco especial em adultos acima dos 40 anos.
Seu trabalho reúne conhecimento científico atualizado e experiência prática para ajudar pessoas comuns a emagrecer, ganhar força, preservar a saúde e envelhecer com mais qualidade de vida através de hábitos sustentáveis e acessíveis.




